sexta-feira, maio 08, 2009

Esquecer mesmo a lembrar


(...)
Ouve-se muitas vezes por aí: “esqueci-me!”. A minha questão é: será que foi esquecimento?


Não, não foi esquecimento, não existe esquecimento quando nos queremos lembrar. Lembrar sem parar e sem quaisquer entraves. Lembrar-se nos momentos mais triviais, quando a lembrança não tem nada a ver com o momento em questão.


Gosto de lembrar-me, lembrar-me sem parar das coisas que me quero lembrar, sabendo que nunca as vou esquecer. Mesmo as coisas que quero esquecer hei-de lembrá-las sempre para relembrar-me dos desafios que enfrentei, percebendo onde estou e para onde caminho. Mas não quero esquecer-me de nada, quero lembrar-me sempre de tudo, para levar comigo cada peça do puzzle, que depois dará um lindo quadro. Um quadro para colocar no meu cantinho mais precioso e olhar para ele todos os dias lembrando-me das minhas lembranças mais queridas.


Posso não estar sempre a dar a lembrar-me porque sei que quem quer lembrar-se de mim há-de lembrar-se sempre e quem não quer também vai, porque não há esquecimento. Esquecimento é pensar que não nos lembramos de algo ou alguém por mais que saibamos que nos lembramos, mas que não demos o enfoque suficiente a essa lembrança quando ela tinha os holofotes todos ligados e jamais passaria despercebida.


Por isso, trago em mim cada palco que pisei, todas as personagens que comigo contracenaram e recordo-me do público que, algumas vezes aplaudia de pé e outras, porém, mantinha-se impávido e sereno, como se nem estivesse a decorrer qualquer espectáculo e, na verdade, não estava, mas toda a gente acreditava que sim, inclusive eu própria.


Hei-de lembrar-me sempre de tudo, convicta e certa de que jamais vou esquecer, nem quero esquecer, quero lembrar-me sempre de cada bocado de mim e de ti…

2 comentários:

Zabour disse...

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos." Charles Chaplin

Beijinhos

Cláudia Nóbrega disse...

Zabour:

Cá está uma belíssima frase do inconfundível Charles Chaplin.

De facto, a vida é um dádiva muito grande que nos foi dada e cada momento da mesma deve ser saboreado com deleite porque é, efectivamente, único e irrepetível.

Beijinhos e bom fim-de-semana!