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quarta-feira, abril 29, 2009

























De mãos abertas
Escancaradas!
Ecoa a vida mundana
Lascas de um finito intrusivamente infinito
Desinteressante,
Como meras ovelhas tresmalhadas.

Tilinta a consciência emudecida
Cacos de um tesouro desenterrado
Velharias fúteis e exorbitantes
Que realçam o amor ressuscitado.

Vidros estilhaçados varrem o acobardamento
Atulhado numa mala…
(Sei lá! Talvez algum dia…)
Vareja o cano de esgoto acabrunhado
(Não sei! Já disse!)
É afoiteza?!
(O assunto está encerrado!)


Cláudia Nóbrega
12 de Abril de 2009

terça-feira, março 24, 2009

Reconheço as apoquentações que te acometem
As sensações irrealistas e arrebatadas,
Irreflectidas e imponderadas
Que as quimeras arredam e, insensivelmente, esquecem…

Podes penetrar no mar e não mais retornar.
Podes divagar e não mais acordar.
Podes avistar a felicidade a levitar delirante.
Podes preferir ser um audacioso e insigne viajante.

Mas paraste… desististe… cedeste!
Preferiste as trevas imundas de um deplorável ser
Elegeste a tormenta, a mágoa, a assolação…
Compreendo! Outrora já me acobardei a essa sensação!

Cláudia Nóbrega
24 de Março de 2009

terça-feira, março 10, 2009





Agora sei… oh, se sei… é tão fantástico!
Agora tudo é díspar, excitante, mágico…
Tudo é totalidade de um nada inexistente,
Tudo é energia que jamais fica ausente.

Agora sinto… oh, se sinto… é aprazimento!
Agora tudo é amor, paixão, alento…
Tudo é um sorriso que arde de emoção,
Tudo é paz que confere uma doce agitação.

E foi agora…sim, agora…
Num espaço de tempo que não tem hora
Que te vi e em ti me entrelacei…

E é já amanhã…sim, amanhã…
Numa cobertura de chocolate e avelã
Que vamos deliciar-nos com um sentimento que nunca experimentei…

Cláudia Nóbrega
9 de Março de 2009

domingo, outubro 12, 2008

Se tu soubesses…

Se ao menos as fronteiras se quebrassem
Se as muralhas que nos separam se desmoronassem
E o oceano fosse menos profundo e temível
A saudade tornar-se-ia instantaneamente invisível.

Se ao menos a memória se conseguisse dominar
Se o passado fosse lixo de que nos quiséssemos livrar
E aquele caloroso beijo fizesse parte da imaginação
A vida ganharia uma outra pigmentação.

Se ao menos esta energia que nos une desaparecesse
Se o sentimento não fosse correspondente e se se escondesse
E pudéssemos empurrar os pensamentos para outra margem
A vida seria uma serena e desinteressante viagem!

Se tu soubesses… Ah, se tu soubesses…
Se viesses agora ver-me e em mim estivesses
Ascenderias até onde jamais alguém te levou
E saberias que foi a vida que por nós se encantou…

Se soubesses… Oh! Eu sei que sabes…
És tu impregnado em mim e eu em ti… Sentes?
Vês-nos evoluir na mesma direcção?
Já falta pouco, amor… mas por ora deixa-me deleitar com esta sensação!

Cláudia Nóbrega
28 de Setembro de 2008

quinta-feira, maio 03, 2007















Bebo todas as palavras que proferes,
Beijo o silêncio que velozmente se quebra,
Abraço o sentimento que o momento aglomera
Enaltecendo a vida sem entendimento,
O passar da vida sem tempo,
O amor que grita sem desfalecimento
Expectante pelo desfecho de tão eloquente sentimento.

Revivo todos os teus movimentos:
Devoro cada gesto, cada traço, cada olhar…
Assolo qualquer dúvida, medo, repressão…
Sentindo o que nenhuma emoção pode proporcionar
Vivendo o que nenhuma vida pode contemplar
E navego embalada pela tua existência
Agregando-me à vida que penetrou na minha.

E quando experimento a tua rara presença
Envolvo-me num sentimento que nunca experimentei
Sigo por caminhos que jamais pisei
Catapultando a emoção para cada palavra que profiro
Para cada olhar, cada movimento, expressão…
E sinto a proibição dos meus pensamentos
Que creio coincidirem com os teus para nossa perdição…
Cláudia Nóbrega (2 de Abril, 2007)

domingo, abril 08, 2007









                  Esta totalidade que trago na alma
                  Não consigo a vós dizer
                  Esta voz gritante que agonia
                  Deixa este meu mundo perecer
                  Afogando as palavras que brotam
                  Os sons que ficam reprimidos
                  O tempo que de mim se torna inimigo voraz.

                  Queria tanto a natureza compreender
                  Desenterrar os medos que me sepultam
                  Abraçar-vos tão forte e destemidamente
                  Contra o bater do meu peito descompassado
                  Fulgente por ante vós se decifrar
                  Neste tumultuoso sentimento
                  Que nem o fenecimento consegue eliminar.

                  Persisto à beira do impetuoso mar
                  Que incita à reflexão sem entendimento
                  Aos dias que na vossa inexistência
                  Não são mais que frios tormentos,
                  Meras quimeras arrastadas ao vento
                  Que de tanto avançar e regredir
                  Ampliam este meu dissemelhante sentir.

                  É tão irreal esta agitação
                  Visceral este sentimento que em mim habita
                  A esperança que arrebenta do meu peito
                  Quando audaciosamente mergulho em vosso olhar
                  E rememoro a nascente da desigual natureza
                  Tão cristalina e límpida
                  Como a pulcritude que de vós desabrocha.


                  Cláudia Nóbrega (2 de Abril de 2007)

                terça-feira, abril 03, 2007

                Correndo o risco de tornar-me repetitiva, volto a postar um poema, mas isto tem uma boa explicação: ultimamente tenho andado a ler e a escrever muita poesia, por isso, vou partilhar convosco mais uma das minhas obras poéticas (dito assim até parece uma coisa profissional).

                Espero que gostem tanto de ler o poema como eu de o escrever!










                Esses teus harmoniosos olhos
                Que invocam a comoção do meu cosmos
                Que asfixiam a serenidade:
                Ausente no instante em que estás presente.
                Que clamam pela mais afincada meditação,
                Que traduzem em significado o Universo,
                Que encantam,
                Que brotam emoção,
                Que extinguem a razão…

                Oh, que resplandecente olhar
                Que retrata medos análogos aos meus,
                Que irradia uma vivacidade veloz,
                Que queima a castidade de uma alma,
                Aniquilada por um sentimento firme
                Que destrói,
                Que constrói,
                Que em Vossa ausência dói…


                Cláudia Nóbrega (2/05/2007)

                domingo, abril 01, 2007











                Detenho-me num local repleto de gente
                Mas a tua inexistência torna-o desguarnecido.
                Abundantes são as palavras proferidas
                Mas todas são desinteressantes
                Porque a audição extasia
                Ante a primazia do teu som:
                O que excede são sonidos frívolos.

                Os efémeros momentos tumultuam
                Todos os instantes parecem infinidades:
                Rendo-me perante esta autenticidade
                Que martiriza e choca com o fundamento
                Com o sentimento que acarreta tormento,
                Do coração que censura a interdição
                De tão proeminente emoção.

                Cláudia Nóbrega

                quarta-feira, março 21, 2007

                Volúpia








                O fogo que arde
                Na incerteza que me queima.
                E tudo é surreal,
                E tudo é miragem...
                Só este gérmen
                De um sentimento fulminante.
                E sinto-me como água no deserto;
                E sinto-me como luz na escuridão...
                E não sei o que sinto,
                E não sei o que penso...
                Tudo parece aberrante e insensato...
                A ideia extasiante desta incerteza me corrompe.
                É – me estranha esta pitoresca sensação,
                É – me alheio este sentir...
                O meu coração palpita descompassado
                Na intempérie desta volúpia...
                E me consome o momento de tomá-lo por inteiro...
                De envolvê-lo em meus braços.
                Fazê-lo meu.
                E me sinto delirante perante a perversão
                De querê-lo a custo,
                De possuí-lo por inteiro...
                E nada me detém, nada me contém
                Na gota crepitante deste sofrer elouquente.
                Mas amá-lo não poderia sem a sua carícia fria
                Sobre o meu coração que sente...

                domingo, março 11, 2007


                Não basta querer
                Porque o sonho é mais fácil que a vida,
                É mais brando do que a dor,
                É mais forte que a fraqueza fortalecida,
                É mais alto que o dignificante valor,
                É mais voraz do que qualquer determinação
                E menos intenso do que o sentimento
                Que habita em meu coração.


                Não basta desejar
                Porque amar é mais difícil que odiar,
                É mais agitado do que a tempestade,
                É mais belo que contemplar o luar,
                É mais doloroso que a maldade
                E menos contagiante
                Do que a beleza do teu olhar.


                Cláudia Nóbrega

                sexta-feira, fevereiro 09, 2007


                Pertenci a uma era
                Em que a insensibilidade transbordava,
                Em que o tempo parecia igual,
                E tudo permanecia tão banal.

                Parecias constituir um mero marco da passagem,
                A actualidade que brevemente concerniria ao passado
                E a vida prosseguiria ignorando todos os momentos
                E a intuição permaneceria supérflua por todos os tempos.

                Porém os momentos arquitectaram uma agregação
                Impulsionando o que jamais a razão conjecturaria
                Manifestando uma revelação tão nítida como o dia
                De que o futuro permaneceria estanque ante todos esses instantes.

                Em diversas situações acalmei-me com a presença reconfortante,
                Com palavras que emanaram encantamentos,
                Com a existência que ironicamente parecia desigual
                Proporcionado instantes de cariz trivial.

                As palavras transfiguraram-se em inutilidades
                Porque perante esse olhar a vida imobiliza,
                A obscuridade irreversivelmente passa
                Porque minh’alma se rende perante tanta graça.

                O enamoramento consome o mais ínfimo raciocínio,
                A dúvida assombra qualquer réstia de convicção
                Mas quando a luz de um olhar renasce
                Extingue todas as ambiguidades que se conceberam em vão.

                Ousaria proferir tais divagares por todo o cosmos,
                Experimentaria a incorrecção de exteriorizar este poema
                Convicta de que algo feneceria mas uma vida ressurgia
                Envolta na áurea que envolve o teu olhar.

                O caminho torna-se mais fulgente:
                Escrevo mil poesias enaltecendo essa magia contagiante
                Porque a vida se encaminha para a eternidade
                Iluminando a alma descontente com a felicidade.

                Beneficio com a inspiração que emanas
                Porque a arte clama pelo enaltecimento
                E após a descoberta do sentimento
                Imortalizo a tua existência pela infinidade!


                Cláudia Nóbrega (1 de Fevereiro de 2007)